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No
frio e impessoal ambiente da sala cirúrgica, o foco
ilumina a barriga de uma mulher. Ela acaba de ser
anestesiada. A cesariana vai começar. Como é rotina
neste momento, o ambiente fica mais tenso e os
profissionais envolvidos se concentram no trabalho,
cessando as costumeiras piadas e brincadeiras que,
há poucos minutos, serviam para descontrair o
ambiente.
Após um dia agitado, com muita ansiedade, o momento
tão aguardado finalmente chega.
(
texto retirado do livro “ E agora Doutor? Do Dr.
Ruy do Amaral Pupo Filho)
A
CRIANÇA É NORMAL?
Esta pergunta e este momento é inevitável a qualquer
casal que se vê frente a chegada de um filho.
Receber a notícia que tudo esta bem parece fazer
parte de inúmeras histórias do dia a dia de muitos
casais.
O que não faz parte do dia a dia de muitos
casais ,que esperam seus filhos, é a inevitável
notícia , seja ela qual for, que existe algo
errado , e o inevitável acontece, e o casal se abala
,não precisa ser somente com a síndrome de Down,
qualquer que seja o problema; e é óbvio que estes
pais precisam, e muito de apoio, carinho, amor da
família e muita união de todos, inclusive deles
mesmos..
Receber a notícia de que seu filho é portador
de Síndrome de Down não é fácil e nem diferente para
ninguém, não foi, nem para o pediatra e
neonatologista Dr. Ruy do Amaral Pupo Filho (*) que
presenteou nossa Sociedade Brasileira e todos os
profissionais e pais ligados a Síndrome de Down com
sua obra “E Agora Doutor?” que recomendo a todos.,
Esta é uma obra que ficará para a história como um
grande trabalho escrito e vivido, sobre a Síndrome
de Down de forma simples e muito útil a todos
aqueles que se iniciam nesta jornada de fazer desta
Síndrome algo que vai fazer parte de sua vida, seja
como pai ou como terapeuta.
Sim a Síndrome de Down é um acidente genético e pode
acontecer com qualquer casal. Falar sobre a
rejeição inconsciente dos pais não pelo bebê mais
pela situação não é nenhum mito, eles não deixam de
amar o seu bebê, é natural, eles só não sabem como
fazer. A ajuda de um terapeuta neste momento é tão
importante se faz e muito necessário, para que este
casal possa entender o lindo presente que acabaram
de receber, e que este bebê possui suas limitações e
não total impossibilidade. Entender que o apoio de
uma equipe multidiciplinar ( pediatra, geneticista,
fisioterapeuta, fonoaudiólogo, terapeuta
ocupacional) o mais rápido possível só será benéfico
para os pais e para o bebê. E que seu desempenho no
futuro estará diretamente ligado as oportunidades
dadas a esta criança desde cedo.
QUAL O
FUTURO DE UMA CRIANÇA COM SÍNDROME DE DOWN?
Uma síndrome é definida como um conjunto de sinais e
sintomas, que podem ter diversas causas. Já o nome
Down foi uma homenagem ao médico inglês John Langdon
Down que descreveu a Síndrome em 1866, a partir da
observação de um grupo de crianças que eram muito
parecidas entre si.
O
Futuro é de luta, buscas ,vontade de oferecer
oportunidades e profissionais necessários para o
acompanhamento desta criança, como já foi dito
(fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos,
terapeutas ocupacional e outros que se fizerem
necessários). Hoje a realidade para o Síndrome de
Down já está bem avançada. O portador da Sindrome de
Down, tendo oportunidades adequadas, se alfabetiza,
freqüenta escolas regulares e até trabalha. Existem
até relatos de adolescentes que escreveram livros e
que moram sozinhos..... Hoje estes relatos já
são mais do que comuns.
Uma das características da Síndrome de Down é o
atraso no desenvolvimento neuropsicomotor da criança
,que compreende entre outros aspectos, as fases de
aquisição das habilidades de sentar, andar etc.
A
criança com Síndrome de Down passará por todas as
fases de uma criança normal só que com um certo
atraso.
O objetivo da intervenção precoce é diminuir estes
atrasos. Logo no primeiro mês de vida uma orientação
com um Fonoaudiólogo é um procedimento que já vem
sendo praticado em bons hospitais. Estes
profissionais, ao contrario do que geralmente se
pensa, não cuidam apenas da audição e da fala. Seu
trabalho é muito amplo, e envolve a capacidade de
aprendizado da criança.
Na Síndrome de Down, devido a hipotonia muscular da
face, existe uma tendência da boca ficar aberta e a
língua para fora. Não que a língua seja grande, mas
como toda região é hipotônica, ela acaba saindo para
fora da boca. Os exercícios prescritos por um
Fonoaudiólogo com materiais especiais, além de
técnicas para administração dos alimentos, tem como
objetivo, fortalecer a musculatura da região ao
redor da boca, incluindo a língua, exercícios de
massagem ao redor da boca e etc.
Trabalho a 21 anos como Fonoaudióloga e no decorrer
deste tempo tive e tenho o privilégio de trabalhar
com pacientes portadores da Síndrome de Down. Estes
exigem um acompanhamento muito de perto para
desenvolvimentos de sua total potencialidade (
concentração, percepção, desenvolvimentos da
linguagem e da fala) ) motricidade corporal e
escrita isto tudo com objetivo desenvolver e
potencializar suas expressão, . alfabetização, e
continuidade da mesma já que existe pacientes que
continuam sua escolaridade e chegam até a cursos
técnicos.
O meu trabalho com o Down em Fonoaudiologia é muito
amplo. A área de desenvolvimento da musculatura do
Miofuncional se faz necessário em primeiro lugar
porque muitos apresentam hipotonia nesta Área, local
de extrema importância para o desenvolvimento da
fala e de sua clareza ao se expressar .A área
psicomotora também é de grande importância já que
também nesta área existe a hipotonia , e em alguns
casos vem acompanhado de falhas motoras
significativas. Quanto as áreas de percepção , estas
costumo trabalha-las de forma intensa pois são elas
que vão aumentar a capacidade de percepção para o
desenvolvimento da escolaridade e principalmente da
comunicação e do bom raciocínio lógico. Falar sobre
tudo o que deve ser desenvolvido com uma criança com
Síndrome de Down ficaria impossível pois todas as
oportunidades devem ser dadas a esta criança pelo
profissional e de forma incansável, assim teremos
jovens enquadrados no contexto social de forma muito
ampla e com desempenho sempre crescente.
Vale
ressaltar que embora seja um trabalho incansável,
ele é apaixonante e cada momento é um desafio e
observar o crescimento destas crianças é um
presente.
E em inúmeros casos as vezes até nos surpreendemos
quando eles ultrapassam até mesmo nossas
expectativas otimistas.
Considero um grande presente , poder
participar ativamente de suas evoluções e de me
emocionar a cada crescimento, a cada surpresa, a
cada sorriso, a cada ......
Obrigada ao Dr. Ruy do Amaral Pupo Filho, que ao
ser participante de uma Palestra Ministrada por ele,
obtive a honra de receber seu livro, uma parte de
sua história, o qual autografou com alguns
comentários em 1997.
Este material contribuiu muito para o entendimento e
a PAIXÃO que tenho em trabalhar com crianças com
Síndrome de Down.
Obrigada ao Dr. Ruy e a todos os que me permitiram e
me permitem fazer parte ativa de suas vidas.
Fga.
MARIZA CELIA TEIXEIRA DE ASSIS PINTO
CRFa: 5644/RJ
Rio, 9
de setembro de 2006
(*)
Dr. Ruy do
Amaral Pupo Filho
autor do livro “ E Agora
Doutor?”
Sanitarista, Pediatra, Pós graduado em Saúde
Pública, Neonatologista. Presidente da Up Down (
Associação de Pais de Filhos com Síndrome de Down
fundada em 1990) e eleito Pai do Ano de 1995 pela
Revista Claudia. |